Os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro intensificaram a privatização do patrimônio brasileiro. Além dos prejuízos à população e à economia, um aspecto muito importante nem sempre tem a devida atenção: os impactos causados na saúde dos trabalhadores.

Em 22 de setembro de 2020, um empregado da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, cometeu suicídio nas dependências da empresa. Uma auditoria realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em conjunto com o Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador (Cesat), concluiu que o caso estava diretamente ligado a condições de trabalho ruins e a um ambiente de insegurança e tensão.

A Refinaria foi vendida em 2020 a um fundo de investimentos dos Emirados Árabes Unidos, em uma transação suspeita pela subvalorização do preço (metade do valor de mercado) e o sucateamento das condições de trabalho, que incluiu a demissão de duas psicólogas e uma assistente social que atuavam quando ela era gerida pela Petrobras.

É um caso extremo entre os diversos problemas de saúde enfrentados por trabalhadores de empresas privatizadas, que sentem na pele o alto prejuízo social causado pelo desmonte do Estado.

Saúde mental

O enfraquecimento do Estado, causado pelas privatizações e terceirizações, impacta diretamente a saúde de toda a população, uma vez que 71,5% dos brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde.

Mas há também impactos específicos sobre os trabalhadores das empresas privatizadas. Demissões em massa, pressões por metas difíceis de atingir, precarização das condições de trabalho e segurança, transferência imediata para outras cidades, acidentes, assédio moral: há relatos do incremento desses casos em diversas empresas que deixaram de ser estatais, passando a ser regidas pela lógica fria e brutal da busca pelo lucro.

O impacto na saúde mental é grande, e, ao contrário de quando era estatal, quando havia mais garantias de que direitos essenciais seriam cumpridos, é mais difícil conseguir uma licença ou auxílio por parte da empresa privatizada para fazer um tratamento.

Problemas como depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e síndrome de burnout tendem a se incrementar em ambientes de trabalho massacrantes ou em contextos de ameaça de desemprego e cortes de direitos, que é o caso de empresas que foram privatizadas e precisam “dar retorno logo” aos seus novos donos ou acionistas.

Acidentes

Infelizmente, não é “só” a saúde mental dos trabalhadores que é afetada, mas também sua segurança física e, em muitos casos, suas vidas. As tragédias de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, causadas pela Vale, privatizada em 1996, são exemplos claros de descaso de empresas com seus próprios trabalhadores.

Foram cerca de 300 mortes e milhares de pessoas perderam suas casas, sem falar no prejuízo ambiental incalculável. Mortes que seriam evitadas se a empresa não tivesse compromisso apenas com a geração de lucros, já que não teria cortado custos na área de segurança.

Em vez de sucatear as empresas estatais para depois entregá-las a preço de banana para as camadas já privilegiadas da sociedade, o governo brasileiro deveria voltar a colocá-las no centro da agenda de desenvolvimento do Brasil. Caso contrário, os trabalhadores seguirão adoecendo e o nosso país continuará trilhando o caminho do sofrimento.

 

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