Um morador da Alemanha que acompanhasse as notícias sobre economia no Brasil, provavelmente iria estranhar o que estivesse lendo ou assistindo notícias sobre as empresas estatais brasileiras.

Na chamada “velha mídia” o que mais se vê é comentaristas clamando pelas privatizações de serviços públicos ou empresas /estatais. Analistas econômicos e jornalistas vivem tentando fazer a população acreditar que elas só dão prejuízos ao país, e que se as vendermos para a iniciativa privada a qualidade dos serviços irá aumentar e o preço das tarifas diminuir (eles nunca apresentam provas sobre isso).

Atônito, nosso espectador alemão definitivamente não entenderia o que está acontecendo. Afinal, ele mora em um país que nos últimos anos criou ou reestatizou 411 empresas estatais ou serviços públicos.

Isso mesmo: enquanto o Brasil discute privatizar cada vez mais e de forma atropelada, países desenvolvidos, como a Alemanha, estão reestatizando.

Isso significa que estamos na contramão do mundo.

De acordo com estudo do Transnational Institute (TNI), nos últimos 20 anos foram 924 serviços reestatizados e outros 484 novos serviços estatais criados, totalizando 1408 até 2019.

Além da Alemanha, estão nessa lista de principais “estatizadores” da economia mundial França (156 casos), Espanha (119), Reino Unido (110 casos) e Estados Unidos (que alguns insistem em chamar de modelo de capitalismo e de “Estado mínimo”, mas que hoje já conta com mais de 35 mil empresas estatais, a maioria administrada por estados e municípios, e ainda criou ou reestatizou 230).

 

Mas por que manter público?

Na maioria dos casos, os motivos para a reestatização de um serviço são semelhantes.

Primeiro: as tarifas encareceram com as privatizações. Quando eram comandadas pelo setor privado, o objetivo final era exclusivamente o lucro dos donos e acionistas da empresa. Não havia compromisso com a garantia de acesso e o bem-estar da população, então os preços subiam.

Outro motivo foi a queda na qualidade geral dos serviços. Uma vez privatizada, era natural também que a empresa reduzisse seus investimentos, o que prejudicava o desenvolvimento de novas tecnologias para tornar o serviço mais eficiente.

Com a redução nos investimentos, foram afetadas também políticas de manutenção preventiva de estruturas e iniciativas para a melhoria das condições de trabalho dos funcionários, o que também pode impactar a qualidade dos serviços.

Além disso, podem ser citados como motivos para a reestatização:
– A busca por maior controle democrático (empresas privadas têm pouco compromisso com a transparência, por exemplo, e as decisões são tomadas por poucos empresários, sem ouvir as necessidades da população);
– A garantia da universalidade do atendimento e o uso das estatais como impulsionadoras do desenvolvimento econômico (aumentando a capacidade de renda da população), atuando alinhadas com políticas mais amplas do governo e que respeitem, por exemplo, o cuidado ao meio ambiente.

As principais justificativas para manter os serviços sobre o controle do Estado fazem todo o sentido quando analisamos a quais setores pertenciam essas empresas: a maioria era do setor energético e de saneamento básico.

Ou seja, áreas essenciais, sem as quais a população não pode viver dignamente e que, nas mãos da iniciativa privada, a garantia de acesso a todos estava comprometida. As políticas de atuação eram pouco transparentes e as decisões tomadas não levavam em conta o bem-estar da população ou do meio ambiente, apenas a garantia de lucro.

 

A Petrobras é dos brasileiros

É por isso que, se o Brasil seguisse o exemplo dos países desenvolvidos, a privatização da Petrobras jamais seria cogitada.

A estatal é estratégica ao país, responde a quase toda nossa demanda por gasolina e atua na produção de biocombustíveis e de geração de energia elétrica (que, como vimos, é o setor em que os países desenvolvidos mais se preocuparam em manter sob controle estatal).

Entre inúmeros outros motivos para defender a Petrobras estatal e em benefício dos brasileiros, a experiência internacional nos mostra que estatais bem administradas são sinônimos de bons serviços prestados, tarifas justas e podem ser usadas como caminho para o desenvolvimento econômico e o combate às desigualdades.

Pensar diferente disso é não ter compromisso com o povo e querer agradar as elites econômicas interessadas na exploração de riquezas nacionais.

A Petrobras é do Brasil e deve servir aos brasileiros.

 

Fonte: Com a Petrobras o Brasil tem Futuro

 

Acesse nossa campanha nas redes sociais

Instagram  |  Facebook