O petróleo não pode ser considerado um produto qualquer.

Estamos falando do recurso energético mais usado no mundo. Além da energia e combustível, seus derivados são transformados em uma infinidade de outros produtos como plástico, borracha, tintas, corantes e até em explosivos ou produtos farmacêuticos.

Quando olhamos ao nosso redor, quase tudo tem petróleo em sua composição ou chegou até nós transportado graças ao petróleo. A importância do produto é inegável.

Não à toa, a geopolítica global das últimas décadas nos mostra o quanto as ações dos países são determinadas pelo petróleo. Guerras são movidas (e às vezes até inventadas) visando a conquista de territórios abundantes no recurso ou que ficam em regiões estratégicas para o transporte do produto.

 

Petróleo acima de tudo, guerra pra cima de todos

Cientes da necessidade estratégica do petróleo, os Estados Unidos são o maior exemplo da busca incansável pelo recurso.

Com frequência, os apoiadores da privatização da Petrobras usam a maior potência do planeta como exemplo, dizendo que eles não possuem estatal do petróleo e, por isso, o Brasil também não deveria ter.

Mas o que eles não dizem é que por isso os Estados Unidos inventam frequentemente guerras contra países produtores de petróleo.

Basta lembrar das mentiras contadas pelo governo do então presidente George W. Bush, ao afirmar que o Iraque possuía armas de destruição em massa (o que nunca foi provado). Depois de uma invasão, em 2003, que acabou por derrubar o regime de Saddam Hussein para se apropriar do petróleo dos iraquianos, estima-se que perto de 650 mil civis tenham morrido na guerra e posteriormente. Até hoje a região não se recuperou.

Importante lembrar que em 1990 os Estados Unidos também haviam liderado uma guerra contra Saddam Hussein depois que o Iraque invadiu o Kwait, país vizinho e parceiro comercial dos norte-americanos por ser na época um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Naquele ano os EUA tinham como presidente George Bush, pai de George W. Bush.

Até hoje os Estados Unidos não se conformam de ter perdido o controle sobre o petróleo do Irã, depois que uma revolução em 1979 transformou uma monarquia autocrática subserviente aos norte-americanos em uma república islâmica teocrática. Em janeiro de 2020, na tentativa de abalar o governo do Irã, o então presidente dos EUA Donald Trump ordenou um ataque que matou um importante comandante iraniano que estava no Iraque. Não por coincidência, o país, que fica no Oriente Médio, havia anunciado a descoberta de uma gigantesca reserva de 50 bilhões de barris de petróleo apenas dois meses antes do ataque.

Na Síria, na Líbia, no Líbano e no Afeganistão, a história se repete: são países com papel relevante na geografia e geopolítica do petróleo e nos quais os Estados Unidos passam a intervir política e militarmente, sempre usando a desculpa da luta pela “democracia e liberdade”, “contra o terrorismo” e outras justificativas.

Embora muitos dos governantes considerados “inimigos da América” pudessem ser classificados como ditadores, é importante lembrar que a maioria chegou ao poder com apoio dos próprios Estados Unidos, especialmente durante a Guerra Fria (que durou até 1991). Eles eram financiados e armados pelos norte-americanos para combater os soviéticos e, depois que os expulsavam, conquistavam o país e permaneciam no comando por décadas. Aí, quando deixam de atender aos interesses dos EUA, passam a ser considerados inimigos.

Riqueza manchada de sangue

Guerras são fabricadas, dezenas ou centenas de milhares de soldados são mortos e outros tantos ficam com sequelas físicas e psicológicas dos combates (dos dois lados, já que há uma quantidade enorme de veteranos de guerra nos Estados Unidos cujas vidas estão destroçadas). Centenas de milhares de civis dessas nações, que nada têm a ver com a guerra, também perdem a vida.

Todos esses países passam por anos de instabilidade política. Edificações e patrimônios culturais são destruídos e, no final, tudo se resume a interesses econômicos, onde o petróleo é peça chave do “quebra-cabeça”.

Além disso, com governos esfacelados, fica mais fácil para grupos extremistas tentarem tomar o poder, aplicando métodos ainda mais radicais e violentos.

Independente de guerras e tropas militares ocupando o território, do Oriente Médio à Rússia, passando pela nossa vizinha Venezuela, é quase certo que países com grande produção de petróleo que não estão alinhados automaticamente com os Estados Unidos sofrem frequentemente com a tensão política e um ambiente social instável, tentativa de golpes ou interferência militar.

No Brasil, apenas “mais um”

Ignorando todo esse contexto, ao menos desde o golpe de 2016 que colocou Michel Temer no poder, o Brasil (um dos grandes produtores de petróleo do mundo depois da descoberta do Pré-sal em 2006) parece ter escolhido tratar o produto apenas como “mais um recurso”.

Não levamos em conta sua necessidade estratégica e importância geopolítica. No final, o petróleo é tratado como uma commodity qualquer, como trigo, soja ou milho. É como se sua produção ou exportação pudesse ser substituída pela venda de outro produto na balança comercial.

Trata-se de uma política que desconsidera todo o potencial energético, político e estratégico do petróleo, e que faz os brasileiros pagarem mais caro por produtos como combustíveis e gás de cozinha.

É uma retórica que contribui também para justificar a exploração de nossos recursos por potências estrangeiras, especialmente diante do proposital enfraquecimento das atividades da Petrobras, por escolha do Governo Federal.

O petróleo é estratégico e essencial para a garantia de independência energética das nações, tanto no cenário político como econômico. Por isso, não faz sentido a política do governo de Jair Bolsonaro, que se curva facilmente aos interesses estrangeiros e pretende entregar o petróleo cru para outros países, sem levar em conta o potencial que está sendo desperdiçado para a construção de um futuro mais próspero para os brasileiros.

 

Fonte: Com a Petrobras o Brasil tem Futuro

 

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