Todos se lembram do que aconteceu no Amapá no final de 2020: após um incêndio em uma subestação de energia elétrica, 90% do estado ficou no escuro durante semanas.

A empresa responsável pela transmissão de energia, Gemini Energy (estrangeira e privada), não foi capaz de consertar os problemas na rede de distribuição depois do incidente e, por 22 dias, o fornecimento de energia elétrica ficou comprometido, em meio à pandemia de Covid-19.

Como o objetivo da empresa privada é gerar lucro, os investimentos para manter a qualidade dos serviços não foram feitos. Havia menos pessoal especializado e menos operações de manutenção das estruturas.

Em situações de emergência, fica evidente como isso dificulta a resolução dos problemas.

Quem viveu no Brasil no início dos anos 2000 conhece muito bem essa realidade. Afinal, entre 2001 e 2002 o país inteiro sofreu com seguidos apagões. O motivo? A política de cortes do governo de Fernando Henrique Cardoso.

A intenção era reduzir ao máximo a participação do Estado no setor de energia mas, depois de um período de crise hídrica, a produção e fornecimento de energia elétrica foi duramente afetada. O país inteiro conviveu com seguidos cortes forçados de energia. Por isso, foram chamados de apagões.

 

Tragédias em Minas Gerais

Os problemas das privatizações, obviamente, não estão restritos apenas ao setor energético. Como esquecer das tragédias nas cidades mineiras de Mariana e Brumadinho? Ambas aconteceram por falhas de manutenção e segurança na mineradora Vale (privatizada em 1996).
Foram quase 300 mortes nesses dois episódios, que poderiam ser evitadas caso a empresa não tivesse compromisso exclusivamente com a geração de lucro e deixasse de investir na manutenção de estruturas e em políticas de segurança.

 

Petrobras ou Petrobrax?

A venda da Vale e os apagões são reflexos do período em que o Brasil viveu o auge do ideário que ficou conhecido como neoliberalismo, na década de 1990, marcado pela redução acelerada do Estado com muitas privatizações de empresas estatais que eram lucrativas e eficientes, por valores muito abaixo do que seu valor “de mercado”.

Naquela época, aliás, a intenção do Governo Federal era privatizar a Petrobras (cogitou-se até mudar o nome da empresa para “Petrobrax”, para facilitar a pronúncia na língua inglesa) mas, felizmente, a tentativa não prosperou.

Se o governo tivesse privatizado a Petrobras, provavelmente nosso país não teria feito uma das mais importantes descobertas do setor petrolífero nas últimas décadas, o Pré-sal, e a Petrobras não teria contribuído de forma tão significativa ao nosso país entre 2003 e 2016, com a injeção de trilhões de reais à nossa economia.

Mas desde que Michel Temer tomou o poder em 2016, o ideário neoliberal voltou a ser defendido pelos setores ligados às elites (brasileiras e do exterior).

Nos governos de Temer e, agora, de Jair Bolsonaro, a Petrobras voltou a ficar na mira daqueles que pretendem se apropriar das riquezas dos brasileiros.

Fala-se em vender a estatal por completo ou gradualmente, entregando alguns de seus principais ativos, como subsidiárias e refinarias à iniciativa privada (o que já vem sendo colocado em prática).

Para agradar esses setores, o Governo Federal parece decidido a repetir o receituário de tragédias que outras privatizações já causaram ao país.

É necessário lutarmos para afastar ideia oportunistas do tipo “Petrobrax”. A Petrobras tem “bras” no nome porque é do Brasil e deve servir aos brasileiros.

 

Fonte: Com a Petrobras o Brasil tem Futuro

 

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