A promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o preço do botijão de gás iria cair pela metade, cada vez soa mais como mentira. Nos 5 primeiros meses de 2021 ocorreram 6 aumentos consecutivos no preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), o conhecido “gás de cozinha”.

O ministro nunca citou um preço específico, apenas o percentual, mas em junho de 2019, quando fez essas declarações, o valor médio chegava a R$ 69, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Até hoje os brasileiros esperam por esse botijão a R$ 35.

No primeiro semestre de 2021 o gás de cozinha chegou a ser vendido por até R$ 105, em Mato Grosso, e a R$ 90, em São Paulo.

Guedes declarou que a redução de preço do botijão seria possível com mais concorrência no setor. A Petrobras vendeu ano passado a Liquigás, uma subsidiária distribuidora de botijões de gás, com a desculpa que isso iria aumentar a concorrência, trazendo mais empresas para disputar o mercado.

Porém, não houve reflexo nenhum na diminuição do preço do gás, pelo contrário. A compra da Liquigás por um consórcio liderado pela Copagaz concentrou mais de 30% do mercado de botijões em uma só empresa, restringindo ainda mais a concorrência.

 

Política do Governo Federal provoca mais aumento no preço do gás de cozinha

No início do ano de 2021, a Petrobras anunciou um aumento de 6% para o GLP. Para se ter uma ideia, o gás de cozinha já havia encerrado o ano de 2020 com alta de 9,24%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Isso representa mais que o dobro da inflação geral registrada em 2020, de 4,52%. Nas refinarias, o aumento do combustível chegou a 21,9% neste mesmo ano. Apenas nos primeiros meses de 2021, a alta acumulada nas refinarias passou de 10%.

 

Alimentos e gás mais caros, consumo de lenha mais alto

Somado ao aumento no preço dos alimentos, as constantes altas no preço do gás comprometem a renda de grande parte das famílias brasileiras.

Na realidade causada pela pandemia de Covid-19, com muitas pessoas trabalhando em home office, e com crianças estudando em casa, o impacto do preço do gás também afetou as famílias de classe média, que aumentaram o consumo doméstico.

E até cozinhar no fogão à lenha, que era considerado quase nostálgico por muitos, se tornou a representação de um drama enfrentado pelos mais pobres no Brasil. Além de ser um reflexo da dificuldade que muitas famílias têm para comprar o gás de cozinha, o aumento desregrado do uso de lenha nas casas traz consequências negativas, tanto para a saúde dos moradores como para o meio ambiente.

O aumento no consumo de lenha está diretamente relacionado com o empobrecimento da população. Em países de renda mais baixa a participação da lenha no consumo energético residencial é enorme. Em Gana, por exemplo, país com um Produto Interno Bruto (PIB) muito inferior ao do Brasil, cerca de 85% da energia residencial para o preparo de alimentos é atendida por lenha e carvão vegetal.

Além de significar empobrecimento, o consumo de lenha coloca ainda mais pressão na conservação de biomas muito importantes no Brasil, como no caso do agreste nordestino e de localidades na Amazônia.

Como se já não bastasse as vistas grossas do governo de Jair Bolsonaro para as queimadas e o desmatamento, a política econômica ainda empurra milhões de brasileiros para a pobreza e, consequentemente, para a dependência desse tipo de combustível.

É o Brasil voltando ao passado, e de forma cada vez pior.

 

Fonte: Com a Petrobras o Brasil tem Futuro

 

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