Não é estranho que o preço do etanol (antigamente chamado de álcool) suba junto com o aumento do preço da gasolina se as duas cadeias produtivas são separadas?

Primeiro, é preciso entender que a Petrobras praticamente não tem inserção na cadeia produtiva do etanol. Portanto, mesmo que o governo brasileiro tenha optado pela política de preços da gasolina e do diesel atrelada ao mercado internacional e à variação do dólar (uma decisão que é péssima para o consumidor porque eleva, com frequência, o preço desses combustíveis), isso não deveria afetar o preço do etanol.

Mas aí vem o “pulo do gato”. Como praticamente toda a cadeia produtiva do etanol é controlada pela iniciativa privada, os empresários aproveitam-se da elevação do preço da gasolina para aumentar também sua margem de lucro.
Eles sabem que os proprietários de carros “flex” (duplo combustível) ainda irão escolher o etanol se estiver dentro de uma certa proporção (em torno de 70% do preço da gasolina).

Além disso, a legislação determina uma composição de 27% de etanol na gasolina comum e 25% na gasolina premium. Isso impacta em torno de 11% a 17% do preço final da gasolina. Como esse valor é diluído e o consumidor não percebe, os empresários também aproveitam para manter sua margem de lucro mais elevada.

Tudo isso mostra que o controle privado de uma cadeia de combustíveis gera distorções que prejudicam o consumidor porque, obviamente, o lucro é prioridade para os empresários. Sem conseguir interferir no processo, o Estado tem poucos mecanismos para proteger os interesses da população.

Mais aumento que a gasolina

Em maio deste ano a média nacional de reajuste do etanol foi de 11,08% – subiu de R$ 3,836 para R$ 4,250, enquanto o diesel foi reajustado em 6,17% e a gasolina em 2,86%. De janeiro a maio o aumento do etanol foi de 31,95%, contra 21,25% da gasolina 19,80% do diesel. A pesquisa foi feita pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Variação nas bombas de Minas Gerais

Esse aumento pode ser sentido também em Minas Gerais. Houve uma alta de 13,65% (R$ 0,54) no preço do etanol entre abril e maio. O valor médio do litro era de R$ 3,934 e passou para R$ 4,471.

No mesmo período, o preço médio do litro do diesel também subiu, mas em um patamar menor, de 6,33%. Em abril o preço médio era de R$ 4,479 e passou para R$ 4,899. Já o preço da gasolina se manteve estável no período, subindo 0,13% ou R$ 0,01.

Poderia ser diferente

Tudo isso mostra a importância de uma empresa estatal do porte da Petrobras inserida com peso dentro das cadeias produtivas dos combustíveis.

Se tivéssemos um governo que priorizasse as necessidades da população, seria possível impedir aumentos exagerados nos preços dos combustíveis (como já aconteceu no passado).

Fonte: Com a Petrobras o Brasil tem Futuro

 

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