Em 2019, o governo brasileiro começou colocar em andamento seu plano de venda das refinarias da Petrobras. 10 das 13 refinarias entraram na lista de bens que podem ser vendidos, de acordo com o Plano de Negócios 2020-2024 da estatal.

A expectativa de arrecadação é de apenas US$ 15 bilhões, o que seria uma pechincha, tendo em vista que a venda de derivados de petróleo pela Petrobras supriria isso em poucos anos. Ou seja, a ideia do governo é vender barato para ter recursos para usar no curto prazo, visando as próximas eleições.

Ao afirmar que a medida daria mais competitividade ao segmento de refino no país, a gestão da empresa ignora que as refinarias são regionalizadas e, portanto, uma não competiria com a outra.

O governo subestima (ou ignora) os impactos negativos para a economia, caso a medida seja levada adiante.

E os efeitos serão desastrosos para a população.

O custo do diesel para a distribuidoras sairá mais caro e esse aumento fatalmente chegará às bombas dos postos. E o grande afetado por isso tende a ser o agronegócio, que é extremamente dependente do transporte rodoviário (e, portanto, do preço do diesel), tanto para transportar os insumos como a produção.

Atualmente, o custo de refino da Petrobrás no Brasil está entre US$ 2 e US$ 2,50 por barril. É um custo relativamente baixo, devido à eficiência operacional da estatal e do fato de quase todos os custos de capital (construção das refinarias, por exemplo) já terem sido amortizados.

Se uma empresa adquirir uma refinaria, esses custos serão adicionados no custo de refino, e certamente irão pesar nos preços finais. Começaria aí uma reação em cadeia.

Custando mais na refinaria, o aumento chega às distribuidoras, que repassarão para os postos. Gastando mais com diesel, os caminhoneiros precisarão repassar o aumento para o frete.

Aí, duas coisas podem acontecer:

1) Afetar a cadeia produtiva e de comercialização de produtos (inclusive de alimentos), aumentando o preço final para os consumidores.

2) Diminuição da renda dos caminhoneiros, que pode gerar desemprego e, consequentemente, menos profissionais transportando produtos. Isso também aumentaria o custo geral do frete no país e do preço dos produtos transportados. No final, os consumidores também pagariam mais.

O milho é um exemplo de produto que depende muito do preço de frete. Se o frete ficar mais caro por causa do preço do diesel, pode haver queda na produção do alimento.

A médio prazo, a privatização de refinarias geraria inflação, desemprego e escassez de produtos derivados. E o primeiro a sentir será o agronegócio, que traria como efeito colateral alimento mais caro, com impacto no aumento da inflação.

Fora o aumento do preço do transporte coletivo, que afetaria a renda de uma parcela significativa da população.

Mais que soberania nacional e independência energética, a manutenção das refinarias da Petrobras é também uma questão de segurança alimentar.

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