Quanto vale a segurança ambiental de nosso país?

Para a Petrobras, vale todos os esforços e compromissos possíveis e necessários. Mas isso porque ela é uma estatal, e tem como dever prevenir os riscos e reduzir os impactos causados pela exploração do petróleo e gás – atividades que, naturalmente, oferecem ameaças ao meio-ambiente.

Aliás, qualquer problema ambiental gerado por ela afeta diretamente a imagem de nossos governantes perante a opinião pública, o que faz com que a estatal seja ainda mais rigorosa na preservação do meio ambiente do que empresas privadas e estrangeiras.

 

Os crimes da Vale – privatizada em 1997

No passado, a então Vale do Rio Doce era uma estatal brasileira do ramo da mineração. Em 1997, ela passou a ser apenas Vale, quando foi privatizada.

Enquanto era estatal, a Vale jamais apresentou desastres ambientais que causaram tanto impacto quando os crimes ocorridos em Mariana e Brumadinho, cidades de Minas Gerais.

Em 5 de novembro de 2015, em Bento Rodrigues (subdistrito do município de Mariana), uma barragem de rejeitos de mineração da Samarco rompeu. Dezoito pessoas morreram, uma está desaparecida até hoje, e a lama altamente poluente deteriorou a flora, a fauna e o abastecimento de água de todas as regiões envolvidas.

A Vale é acionista da Samarco. O rompimento da barragem ocorreu por erro de operação e negligência no monitoramento. Os rejeitos invadiram a bacia do Rio Doce (que nasce em Minas, e segue para o mar pelo estado do Espírito Santo) e, segundo registros, a lama tóxica chegou ao distante Arquipélago de Abrolhos, no sul do mar da Bahia, local de reprodução de baleias jubarte.

Em 25 de janeiro de 2019, próximo à cidade histórica Brumadinho, outra barragem da Vale se rompeu, causando um crime ambiental maior e mais trágico que o anterior: novas falhas de segurança – escondidas das autoridades antes do acidente – provocaram a morte de 259 pessoas e onze desaparecimentos.

A torrente de lama tóxica destruiu vários distritos, e a bacia do Rio São Francisco (principal curso d’água que chega à Região Nordeste) e o Rio Paraopeba foram afetados.

De acordo com o Ministério Público, a Vale e a Tüv Süd (empresa alemã de consultoria de segurança) ocultaram, juntas, as falhas de segurança da mina. Seus dirigentes foram indiciados pelo desastre em janeiro de 2020.

 

Privatizar a Petrobras prejudicará o meio ambiente

Se não queremos repetir as tragédias acontecidas com a Vale, não podemos aceitar a privatização da Petrobras.

Estatais são fiscalizadas pela sociedade, e comprometidas com as comunidades onde atuam e com o meio ambiente. Empresas privadas (nacionais ou estrangeiras) são comprometidas unicamente com o lucro.

 

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