A tática de sucatear para tentar privatizar empresas e serviços públicos é uma velha conhecida do povo brasileiro. Em certo momento, governos começam a sabotar a qualidade, retirando investimentos e adotando posturas negligentes com as instalações.

Fazendo parecer que a administração pública é ineficiente e incompetente, a estratégia incentiva a opinião pública a apoiar projetos de privatização do patrimônio do povo.

Quando isso acontece, empresas privadas são vendidas a preços reduzidos, bem abaixo do que realmente valem. Foi assim com a telefonia, com a CSN, com a Vale e muitas outras no Brasil.

Com a Petrobras não está sendo diferente e isso pode ser visto na Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada na cidade mineira de Betim, que está na lista de refinarias disponíveis para venda pelo Governo Federal e pela atual gestão da Petrobras.

É um projeto equivocado porque vai na contramão dos governos mais inteligentes do mundo, que não abrem mão do refino, segmento que pode ajudar a controlar os preços e proteger o mercado nacional de crises, e ainda gerar enormes riquezas para o país e para a população.

Nos últimos tempos, houve uma diminuição na capacidade de funcionamento da refinaria mineira por causa da falta de investimentos da Petrobras em manutenção preventiva. Isso tem levado a acidentes graves, que, por pouco, não se transformaram em catástrofes de proporções gigantescas. É um risco para trabalhadores, para a população que vive ao redor e para o meio ambiente.

Em junho de 2019, ocorreram dois vazamentos na unidade, sendo que um deles gerou um pequeno incêndio, rapidamente controlado pelas brigadas de plantão, evitando que se transformassem em grandes incêndios e explosões.

No mesmo ano, trabalhadores denunciaram vazamentos de dimetil dissulfeto, produto altamente tóxico, que chegou a provocar o afastamento de um trabalhador por intoxicação. O mesmo vazamento provocou denúncias de vizinhos, por causa do forte odor e por problemas de saúde como náuseas, dor de cabeça, secura em bocas e olhos.

Privatização tende a piorar quadro

Se for levada adiante, a venda da Regap pode piorar o quadro de falta de manutenção e fazer com que crimes ambientais, como os cometidos pela empresa Vale não muito longe dali (em Brumadinho e Mariana) sejam repetidos, com elementos ainda mais perigosos.

A iniciativa privada busca o máximo lucro acima de tudo, mesmo que coloque em risco trabalhadores, meio ambiente e população. Num país onde 80% das multas ambientais não são pagas, o crime é convidativo para os grandes empresários. Porém, vidas não voltam e a natureza pode nunca mais voltar a ser a mesma após a contaminação.

Um estudo recente mostrou os efeitos de acidentes, caso a gestão da Petrobras siga com sua política de privatização.

Um dos piores cenários seria a explosão de um tanque de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha. Os efeitos se estenderiam num raio de 1,5 km da refinaria.

Outro risco é o vazamento de gás combustível e sulfeto de hidrogênio (H²S), levantando uma nuvem tóxica por 2 km de raio, podendo matar pessoas nos bairros Petrovale, Petrolina e Cascata, na cidade de Ibirité, vizinha da refinaria.

O terceiro risco ambiental apontado é o rompimento da barragem conhecida como Lagoa da Petrobras. Ela é mantida pela Regap e abastece a própria indústria. Em caso de queda, os 20 milhões de metros cúbicos de água atingiriam áreas dos municípios de Betim, Mário Campos, Sarzedo e São Joaquim de Bicas, podendo matar ou desabrigar milhares de pessoas.

Por isso é importante que a Petrobras desista de vender refinarias e volte a tratá-las com responsabilidade, fazendo a manutenção necessária e ações preventivas.

Além da soberania energética e dos empregos, estão em jogo a segurança das pessoas ao redor e também do meio ambiente.

Privatizar é um crime contra o Brasil.

 

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