A Petrobras está sob ataque. O atual governo está tentando fatiar a estatal para vendê-la aos poucos. É uma forma de privatização em partes, já que a Constituição Brasileira impede uma venda completa nos moldes que foi com a Vale (vendida bem abaixo do valor real e que propiciou anos depois dois dos mais graves acidentes ambientais do Brasil). O governo está tentando burlar a legislação para entregar o patrimônio brasileiro.

Além disso, ao abrir mão de subsidiárias como a BR Distribuidora (responsável pelos postos que levam a marca da estatal), a Petrobras está deixando de operar em toda a cadeia de combustíveis e perdendo sua capacidade de influenciar o mercado para reduzir os preços que chegam aos consumidores.

O resultado disso é combustível caro e inflação, processo que foi freado pela pandemia da Covid-19 e que novamente acelera com sucessivos aumentos após o choque internacional do petróleo.

 

Dividir para sucatear

Em 2016, o governo de Michel Temer iniciou um projeto para a Petrobras (mantido também pelo governo Bolsonaro) que levou o nome de “desinvestimento”. Este é um eufemismo para encolher a estatal e abandonar vários segmentos do ramo petrolífero, e também parar de investir em energias renováveis. Isso vai na contramão das principais empresas de petróleo do mundo, que buscam diversificar seus negócios para se proteger de crises em segmentos específicos.

Foi nesse período que se adotou a equivocada política da Paridade de Preço Internacional (PPI), que provocou a escalada dos preços dos combustíveis a patamares nunca antes vistos, pois pareou o preço dos combustíveis aos preços internacionais, com base na cotação do dólar.

O governo Bolsonaro acelerou a venda de subsidiárias e bens da Petrobras como dutos, terminais e poços. Os preços de vendas sempre foram muito abaixo do valor de mercado e sem licitação ou concorrência.

Deixar a Petrobras focada apenas em exploração e venda de petróleo cru já custou caro à estatal: por causa da queda de consumo mundial de combustíveis durante a pandemia do novo Coronavírus, em março a companhia foi a que mais perdeu valor de mercado, entre as grandes do segmento.

 

Refinarias

Junto a tudo isso, ambos governos (Temer e Bolsonaro) passaram a reduzir o refino no Brasil. Nossas refinarias já operaram a 95% da capacidade, mas hoje mal chegam a 65%. Tudo isso porque o governo pretende privatizar 8 das 13 (mesmo que elas tenham gerado quase R$ 10 bilhões de lucro em 2019). Com isso, o Brasil ficará ainda mais dependente da importação de combustíveis, encarecendo o preço para o consumidor brasileiro.

Isso pode ser a pá de cal no sonho de autonomia energética nacional. Caso se concretize, haverá desigualdade de oferta por região, com desabastecimento em várias.

A política do governo brasileiro apenas favorece as petrolíferas estrangeiras, que vendem caro o combustível que poderia ser refinado no Brasil por menor preço gerando, empregos diretos e indiretos. Sem elas, o preço alto será um padrão irreversível no país.

Com a Petrobras desmontada e longe do povo, será mais custoso fazer a transição energética para uma economia energética limpa, como prega o estatuto dela.

Só com a Petrobras inteira e do povo o Brasil tem futuro!

 

 

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