O governo diminuiu nos últimos anos a capacidade de refino de combustível no Brasil de 95% para 60%. As refinarias estão com capacidade ociosa e isso mostra que a política de desinvestimento do ministro da economia Paulo Guedes prejudica os brasileiros com preços mais altos e riscos aos empregos.

Vender ou fechar as refinarias seria uma radicalização desta política nefasta. E o Brasil pioraria bastante com isso.

Com a simples redução da utilização da capacidade de refino, o Brasil passou a exportar petróleo cru e a importar gás de cozinha e combustível refinados de outros países, com preços internacionais, influenciados pela instabilidade do câmbio, e com margens de lucro envolvidas em cada troca. Assim, boa parte do aumento recente tem ligação com esta política que é boa para o capital estrangeiro, mas péssima para os brasileiros.

Os importadores de combustível e refinadores estrangeiros comemoram a medida. O cidadão comum sofre e é controlado por uma moeda estrangeiras e por instabilidades políticas também de outros países.

 

Efeito dominó

O fechamento ou venda de refinarias provocaria um efeito dominó no país com sequelas devastadoras.

O Brasil passaria a depender de importação de combustível, reduzindo a arrecadação de impostos nos estados e municípios onde ficam atualmente as unidades. As cidades seriam afetadas com o desmonte das operações de embarque e desembarque em seus portos e operadores logísticos. Há também recolhimento de royalties pelo uso do território pelas refinarias.

Milhares de empregos nas refinarias e também no entorno delas sumiriam. Toda a economia dessas localidades seria afetada, quebrando diversos setores dependentes da atividade como mercados, construção civil, bens de consumo, etc.

Há risco inclusive de provocar êxodo para outras cidades maiores.

O Brasil deixaria de ter soberania na produção de derivados de petróleo e gás natural. Tudo passaria para as mãos das empresas estrangeiras. Viveríamos em um mercado 100% controlado pelos preços internacionais e pelo câmbio.

O governo colocou à venda oito das 13 refinarias pertencentes à Petrobras. No país, apenas outras quatro não pertencem à estatal. Só a Petrobras tem uma rede de unidades de refino com alcance nacional, diminuindo também o preço do transporte.

Vale lembrar que quase toda a economia gira em torno do custo de transporte e o preço do combustível influencia diretamente a inflação geral ao consumidor. A venda influenciaria duas vezes no aumento.

 

Por que abrir mão de um setor tão estratégico?

Vender refinarias, segundo especialistas, equivale a deixar de ter preocupação com a demanda interna e desenvolvimento do Brasil e jogar nas mãos de terceiros, sem compromisso com o país.

Assim, é impossível ter uma política de preços distinta, levando em conta o interesse nacional.

A arrecadação de impostos em municípios com embarque e desembarque de petróleo e gás natural cairia, assim como os royalties nos locais das unidades.

O investimento e a geração de empregos diminuiriam, pois o mercado privado não é ligado em formação contínua como a Petrobras investe.

O Brasil também perde em ciência e tecnologia. Não haveria mais concursos públicos que atraem jovens recém-saídos de universidades e escolas técnicas, ávidos para começar uma carreira brilhante na estatal.

Não só impostos mas parte considerável do lucro deixarão de ser reinvestidos pelo governo no benefício do cidadão.

Acabar com refino no Brasil é condenar o país a ser eternamente um exportador de matéria-prima sem política de desenvolvimento nacional.

O Brasil voltaria a se comportar como uma colônia dos países estrangeiros.

 

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