Não é difícil reduzir os preços dos combustíveis no Brasil. Basta o governo querer.

Uma das maneiras é concluir as obras de refinarias paradas. Segundo a própria Petrobras, em relatório publicado em dezembro de 2018, o refino do petróleo em unidades nacionais seria 33% mais barato que no exterior.

 

O petróleo brasileiro

A maior parte do óleo extraído no Brasil é de um tipo considerado mais denso (pesado), inclusive o que vem de partes do Pré-Sal, cujas primeiras descobertas acontecerem em 2006.

A maioria das refinarias nacionais não estão preparadas para esse tipo de petróleo. Para fazer o refino, o Brasil precisa importar petróleo do tipo “leve” para misturar com o óleo mais denso. Isso faz do Brasil importador de matéria-prima para refino.

O petróleo brasileiro é de um tipo muito valioso, de alto nível. Se fosse completamente refinado aqui, ganharíamos não apenas em qualidade, mas também em economia: não pagaríamos os custos de importação, nem estaríamos sujeitos às oscilações do dólar e do mercado internacional do petróleo.

 

E a questão das refinarias brasileiras?

As refinarias de Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, e o Complexo Comperj, na cidade de Itaboraí, no litoral do Rio de Janeiro, estavam em construção justamente para processar o petróleo brasileiro e resolver este dilema.

Porém, as obras da Abreu e Lima foram suspensas no início de 2016, pelo governo Temer, quando 95% já estavam concluídas. Dos dois trens de refino projetados, o primeiro tem operado com menos de 50% da capacidade, e o segundo está se deteriorando pela interrupção das obras.

Em um estágio ainda mais avançado, as obras do Complexo Comperj também foram interrompidas: bastava a montagem dos equipamentos (já recebidos) e os ajustes finais para entrar em operação.

Além de resolverem a incompatibilidade entre tipos de petróleos e refinarias, as unidades gerariam milhares de empregos e produziriam combustíveis mais baratos, em posições estratégicas para o país.

 

Por que o governo não conclui as obras?

Como o petróleo brasileiro é altamente valioso, essa qualidade chamou a atenção do capital estrangeiro, que tem interesse pelo nosso petróleo cru. Afinal, multinacionais pagam barato por ele, e depois vendem para o Brasil o combustível refinado, cobrando caro.

Embora o refino dentro do Brasil barateasse os custos para os brasileiros, o atual governo prefere reduzir as atividades das refinarias aqui para entregar nosso petróleo cru ao estrangeiro.

Hoje, as refinarias operam com pouco mais de 60% da capacidade. No passado, já operaram com 95%.

A conclusão das novas refinarias, e o aumento da capacidade e modernização das demais, poderiam suprir a demanda nacional, acabar com a dependência da importação de combustíveis e fazer o dinheiro da população brasileira render mais.

Sem as refinarias, quem perde somos todos nós.

 

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