A Petrobras é uma estatal que tem a cara do nosso país. Com o tempo, construiu sua história e se tornou a maior empresa do Brasil.

Historicamente, a Petrobrás se consolidou como uma ferramenta de desenvolvimento nacional atuando na indústria de óleo, gás natural e energia. Está presente nos segmentos de exploração e produção, refino, comercialização, transporte, petroquímica, gás natural, energia elétrica, gás-química e biocombustíveis.

Porém, tudo o que foi construído ao longo deste tempo começa a ruir a partir do processo de desmantelamento que teve início no governo de Michel Temer e segue agora com Jair Bolsonaro.

 

E os prejuízos para você serão enormes

Uma hora o governo falar em privatizar totalmente a Petrobras, em outra fala em privatizar apenas subsidiárias como as refinarias. Em ambos os casos haverá aumento no preço final pago pelo consumidor da gasolina, do diesel e do botijão de gás de cozinha, pois a política de preço dos derivados do petróleo atrelada ao dólar será mantida e com alguns adicionais:

– A Petrobras perde condições de segurar os aumentos de preços

– Os donos privados irão repassar para o preço do produto os novos custos operacionais (já que precisará criar departamentos que hoje já existem dentro da estrutura da Petrobras)

Quando comparamos com outras privatizações feitas no Brasil essa questão fica muito clara.

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI, entidade patronal) analisou dados de 1999 — ano em que foram realizadas as maiores privatizações de serviços públicos da história do Brasil — até 2019 e concluiu que, nesses 20 anos, os serviços passados para a iniciativa privada tiveram, em média, aumentos superiores à inflação oficial do período.

Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que mede a inflação oficial — no período registrou 240%, a cesta de serviços médicos e hospitalares subiu 374%. A energia elétrica subiu 358%. O transporte coletivo teve alta de 352%. A educação formal aumentou seu custo em 340%.

 

Refinarias transformadas em depósitos

Além disso, a possibilidade de fechar as refinarias só para importar combustíveis reduziria a quase zero os impostos arrecadados nos estados em que elas estão instaladas. A REGAP, de Minas Gerais, por exemplo, possui capacidade de produção instalada de 166 mil barris por dia e capacidade de armazenamento de 1,70 milhão de barris de petróleo e de 6,04 milhões de barris de derivados.

Novos compradores podem achar mais vantajoso abandonar o refino de combustível e usar esse gigantesco espaço como um mero centro de armazenamento e tancagem, guardando os combustíveis importados ou produzidos em outros estados.

Além disso, se ela deixar de refinar, o povo mineiro perderá sua maior fonte de financiamento de serviços públicos porque a arrecadação do estado irá despencar (ela é a maior pagadora de impostos em Minas).

Ou seja, privatizar a Petrobras pode destruir a economia mineira e o bem-estar social de milhões de pessoas.

A privatização da Petrobras representa o fim de milhares de empregos tanto dos trabalhadores da empresa como do comércio em seu entorno.

 

Empregos no lixo

Especialmente a partir dos anos 2000, a política para o setor de óleo e gás, capitaneada pela Petrobras, criou uma gigantesca cadeia produtiva que alavancou o desenvolvimento nacional, levando nosso país a se tornar a sétima maior economia do planeta.

O número de fornecedores da Petrobras multiplicou a partir daquele período. No final dos anos 90, a empresa contava com 1,8 mil parceiros. Hoje são 12,7 mil.

Com a privatização, deixariam de ser investidos milhões de reais em grandes obras de infraestrutura, que também são responsáveis pela geração de milhares de empregos.

De 2014 a 2020, a estatal planejava investir US$ 220,6 bilhões para a contratação de sondas, plataformas, navios-tanque e de grande porte. Todos esses ativos seriam produzidos pela nossa indústria naval, que crescia para se tornar uma das mais fortes do mundo.

Mas aí vieram os governos de Michel Temer e de Jair Bolsonaro no poder e o setor começou a ser desmantelado.

Além disso, os governos Temer e Bolsonaro acabaram com a política de “conteúdo nacional”, que determinava percentuais mínimos obrigatórios de equipamentos e serviços brasileiros para as empresas que vencem leilões pudessem explorar campos de petróleo e gás no Brasil. Ou seja, era uma política protetiva que beneficiava as indústrias brasileiras e gerava empregos por aqui.

Essa política de desmantelamento da Petrobras precisa parar. A venda da estatal (inteira ou em partes) vai prejudicar diretamente você e todo os brasileiros.

A Petrobras precisa continuar estatal, porque com ela, o Brasil tem futuro.

 

Compartilhe o post
Instagram  | Facebook