No whatsapp circulam muitas “fake news”, notícias falsas, de que a Petrobras vende mais barato a gasolina para outros países.

Isso não corresponde à verdade, mas tem algumas particularidades.

Para começar, a gasolina vendida para o exterior não sofre taxação. Esta isenção de impostos da União, estados (o ICMS) e municípios é uma forma de incentivar exportação de um bem de valor agregado para o mercado externo.

No entanto, excetuando-se por isso, a gasolina sai para o exterior pelo mesmo preço que sai para o mercado interno. Quando chega, uma importante decisão: o país de destino pode optar se vai taxar e quanto vai taxar a gasolina brasileira.

Alguns países não taxam com a intenção de diminuir os preços no mercado interno e beneficiar a população.

Sem as taxas brasileiras e sem as taxas dos próprios países, realmente a gasolina acaba saindo mais barata.

É um processo pelo qual a Petrobras não tem absolutamente nenhuma responsabilidade.

E como se chega ao atual preço?

A atual política de preços da estatal é a de seguir as cotações internacionais do barril de petróleo, o que significa seguir o câmbio e todas as oscilações do mercado internacional, em dólar.

Dependendo do país, há muitos fatores para a formação do preço, como existência de subsídios, quantidade de impostos cobrados, preço internacional do barril de petróleo e também governos que usam a cotação dentro de uma política de controle da inflação.

A atual política de preços no Brasil foi adotada por Michel Temer e mantida pelo governo Jair Bolsonaro porque é benéfica ao capital internacional (mas terrível para os brasileiros).

A gasolina brasileira tem preço considerado mediano, geralmente oscilando entre a 70.ª e 90.ª posição no ranking global. Mas poderia ser mais barata se o atual governo tivesse mais compromisso com o povo brasileiro na composição do preço.

Pelo mundo

A distância do local de produção é um fator que colabora com o preço. Quanto mais longe, maior o custo com transporte.

O poder aquisitivo da população também faz a diferença. Por causa das diferenças cambiais, um mesmo preço, por exemplo, tem impactos diferentes para um boliviano e para um belga.

A Venezuela tem a gasolina mais barata do mundo, em um valor equivalente a R$ 0,04. Mesmo em crise, o governo segue subsidiando o preço ao consumidor.

Por outro lado, a Arábia Saudita, que tem a segunda maior produção, cobra o equivalente a R$ 2,16 pelo litro do combustível em média.

Hong Kong, província pertencente à China, tem a gasolina mais cara do mundo: R$ 7,73. Os fatores que levam a isso são os altos custos de transportes, impostos, imóveis e demais custos operacionais.

Alguns países encarecem a gasolina ao consumidor como política para desincentivar o uso do transporte individual em nome do transporte coletivo e diminuir a poluição. Caso de Noruega, que possui uma das maiores estatais petrolíferas do mundo e o litro da gasolina custa em torno de R$ 7,70. Na Islândia, o litro está na casa dos R$ 7,70.

Sendo assim, são vários os fatores que levam ao preço nos diversos países do mundo, não havendo uma única regra. Sempre é bom pesquisar, ler e se informar em fontes confiáveis de informação.

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