A Petrobras pode estar ainda sob o controle do Estado, mas sua gestão abre mão de decisões importantes para o futuro da empresa, deixando o mercado ditar os rumos da estatal. A política do governo brasileiro, ao reduzir as operações nas refinarias, fragiliza cada vez mais a estatal, especialmente diante das crises do petróleo, que podem ser menos frequentes agora, mas ainda ameaçam a estabilidade da companhia.

Desde o governo Temer, em 2016, o Brasil passou precificar os combustíveis com base na cotação do mercado internacional e os valores passaram a variar com maior frequência.

Além disso, desde então, a companhia tem sofrido com um processo de desmonte, como explicaremos abaixo.

Com o aval do atual Ministro da Economia Paulo Guedes, estão tentando vender blocos do Pré-sal a preços baixíssimos (estima-se que o megaleilão de novembro de 2019 geraria um prejuízo de mais de R$ 1 trilhão para a Petrobras, caso o governo tivesse sucesso), e 8 das 13 refinarias da estatal estão na mira das privatizações do governo.

 

Políticas temerárias não são novidade na Petrobras

As políticas de desmonte da Petrobras já ocorrem desde o governo Temer, sobretudo com a nomeação de Pedro Parente à presidência da estatal.

Focado em uma futura privatização da companhia, o então governo insistiu numa nova política de preços dos combustíveis, combinando a variação do câmbio do dólar (no curto prazo) às oscilações no preço internacional do petróleo, passando pelas instabilidades da moeda nacional (Real).

Os preços dos combustíveis dispararam e, com frequência, mudavam mais de uma vez numa mesma semana.

Como resultado, o Brasil enfrentou uma severa crise de abastecimento, gerada na greve dos caminhoneiros, em 2018. Nos onze dias de paralização, a Petrobras perdeu R$ 137 bilhões em valor de mercado.

Só para ilustrar, o valor é quase a soma da varejista Lojas Americanas (R$ 43,9 bilhões), da empresa de cosméticos Natura (R$ 47,2 bilhões) e do banco BTG Pactual (R$ 49,4 bilhões) – que totalizam R$ 140,5 bilhões na bolsa de valores do Brasil. Ou, ainda, é mais que o valor de mercado da rede varejista Magazine Luiza (R$ 106 bilhões).

Parente, então, pediu demissão do cargo (exatamente numa sexta-feira de pregão da Bolsa de Valores). Como resultado, a Petrobras perdeu mais R$ 40 bilhões em valor de mercado naquele dia.

 

Com Bolsonaro, o valor de mercado entra em queda livre

Entretanto, o maior desfalque na Petrobras tem sido na atual liderança de Roberto Castello Branco, presidente indicado por Jair Bolsonaro. Essa política temerária se reflete no valor de mercado.

No começo de 2020, a estatal estava avaliada em R$ 400 bilhões. Em março, logo que a pandemia do novo Coronavírus chegou ao Brasil, em apenas um dia a Petrobras teve uma queda de R$ 202 bilhões, prejuízo muito maior em relação às gestões anteriores e aos impactos da Operação Lava-Jato.

Esse desequilíbrio que acontece a todo o momento é resultado de uma política alinhada ao mercado internacional que reduz a capacidade da companhia em refino e favorece a importação de combustível. A situação se tornará ainda mais agravante, caso a gestão da estatal avance na venda das oito refinarias. Isso seria um grande golpe na nossa soberania nacional.

A companhia é sinônimo de desenvolvimento socioeconômico no Brasil, pois ao longo da história promoveu empregos, renda, educação e saúde de qualidade.

Não podemos deixar que os interesses da elite econômica passem por cima do legado da empresa mais importante do nosso país. A Petrobras é de todos nós!

 

Compartilhe o post
Instagram  | Facebook