Nenhuma análise econômica é mais real do que a do trabalhador ao pagar a conta do mercado. O poder de compra está menor, pois tudo subiu: comida, gasolina, bens de consumo.

Grande parte desse aumento geral no Brasil acontece em virtude da política de preços dos combustíveis, adotada pelo Governo Federal, e da tentativa de venda de refinarias da Petrobras.

Desde 2016, com Michel Temer, e agora, com Jair Bolsonaro, o país segue a política de preços paritários de importação (PPI), que na prática significa que o valor dos derivados do petróleo será definido conforme o mercado internacional e a cotação do dólar. Apesar da produção ser aqui, o preço que será cobrado pela Petrobras do combustível que sai das refinarias é definido por fatores externos.

Assim, os combustíveis sofrem reajustes mais frequentes e abusivos, pois dependem de oscilações do mercado internacional e da disparada do dólar, que tem sido constante no governo Bolsonaro.

De janeiro a março de 2021, a gasolina havia aumentado 54%, e o diesel 41,5% nas refinarias. Contando seis reajustes desde o início do ano, em alguns locais do Brasil (como o Acre) a gasolina chegou a custar R$8,20.

 

Tudo é afetado

É importante lembrar que toda a população tem sofrido com as altas de preços em função de uma escolha do governo Bolsonaro que, em um momento de crise econômica e sanitária, preferiu prejudicar o povo para privilegiar grandes empresários e acionistas.

Praticamente zombando da sociedade brasileira, um representante dos importadores de combustíveis afirmou que as empresas do setor querem fazer reajustes cada vez mais frequentes nos preços, pois seus lucros não seriam suficientes e a situação estaria “insustentável”.

Para forçar a privatização de 8 das 13 refinarias da Petrobras (responsáveis por 50% da produção nacional), houve a diminuição das operações (de 95% da capacidade para em torno de 60%). Com isso, cresceu também a importação de derivados de petróleo por empresas que se instalaram no país.

Em vez de estarem sendo produzidos pelas refinarias da Petrobras, são comprados por valores mais caros de outros locais.

O aumento dos preços dos combustíveis impacta também nos preços dos produtos consumidos pelos brasileiros, inclusive os da cesta-básica. Afinal, 58% das mercadorias brasileiras são transportadas nas rodovias.

 

A privatização de refinarias vai piorar o cenário

A tendência é que a situação piore. Com o avanço das privatizações de ativos da Petrobras, corre-se o risco de os combustíveis não chegarem à toda população brasileira, gerando desabastecimento em algumas regiões, promovendo preços ainda mais abusivos, pela falta do produto no mercado interno.

A combinação é fatal: preços baseados no mercado internacional, com variação pelo dólar, somados à redução do refino (que gera aumento da importação de combustíveis), geram os aumentos dos combustíveis aqui no Brasil.

Quem paga é o povo brasileiro.

A Petrobras tem uma função social por ser uma estatal. O governo brasileiro precisa deixar que ela volte a cumprir esse papel. Em momentos de crise, ela tem um papel fundamental e estratégico para o país.

O primeiro passo é abandonar a PPI e garantir a possibilidade de subsidiar o preço dos combustíveis de forma justa para todas as regiões.

A ação diminuirá o preço dos alimentos, do gás de cozinha, da gasolina e dos produtos que são afetados pela cadeia produtiva do setor de petróleo.

O impacto seria enorme!

É preciso reagir! Vamos juntos!

 

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