Nos últimos anos, surgiram novas tecnologias de motores híbridos em veículos automotores e até carros elétricos.

Isso gera um importante debate sobre o uso do petróleo.

Diante dessas mudanças, muitas pessoas ficam com uma dúvida: por quanto tempo ele ainda será importante?

Junto a isso, alguns setores tentam disseminar na sociedade a um raciocínio de que seria a hora de vender a Petrobras para que estrangeiros extraíssem o que resta do petróleo no Brasil.

Esta ideia não se sustenta em fatos.

A demanda mundial é gigantesca e novas descobertas de reservas pelo mundo estão sendo anunciadas – como no Irã em 2019 e na Guiana em 2020.

Levando em conta essas novas descobertas, as reservas já existentes e a demanda mundial, estudos indicam que o petróleo seguirá sendo fundamental como fonte de energia e matéria-prima de milhares de produtos por pelo menos 40 a 50 anos.

Junta-se a isso a evolução da tecnologia de extração. Por exemplo, a própria Petrobras desenvolveu métodos para extrair petróleo a 7 mil metros de profundidade, algo inimaginável até poucos anos.

Em 1984, a Petrobras extraía 500 mil barris de petróleo por dia em 4.108 poços. Hoje, produz o triplo disso apenas com os 77 poços do Pré-Sal, bacia de petróleo localizada no fundo do mar, abaixo de camada de rocha salina.

Atualmente, 60% da matriz energética mundial vem do petróleo, mas fontes alternativas, conhecidas como “energias renováveis”, vão ganhando espaço.

Assim, o Brasil precisa se preparar para uma transição energética para estes meios. Para uma economia baseada em baixo impacto de carbono.

Nesse sentido, a Petrobras deveria se tornar cada vez mais uma empresa de energia ampla (era esse o caminho até 2016), sendo dona de usinas eólicas e de usinas de energia solar. Mas não é o que vem acontecendo. O governo Bolsonaro está reduzindo todas as operações da Petrobras, focando apenas na extração e na comercialização de petróleo cru. Um terrível erro estratégico que coloca o futuro do Brasil em risco.

E no resto do mundo?

Entre os países mais desenvolvidos e aqueles em ascensão e que são produtores de petróleo, cresce o entendimento de que os governos não devem abrir mão de um setor tão estratégico, e que devem permanecer donos de suas estatais de petróleo.

Mas e os EUA?

Os Estados Unidos são um caso à parte. É um dos países que não possuem estatais de petróleo, no caso por motivos históricos. Por outro lado, atuam forte na geopolítica para retirar o petróleo dos outros países ou comprar bem barato.

É uma característica única do ramo petrolífero, pois em outras áreas, possuem milhares de empresas estatais de ramos diversos, geralmente de âmbito estadual ou municipal, muito pela estrutura federativa do país (com importantes diferenças de legislação entre os estados, por exemplo), chamadas de public authorities.

Nos últimos cem anos, os Estados Unidos promoveram diversas guerras por causa do petróleo. No início de 2020, ficou perto de eclodir uma guerra no Irã, país que anunciou uma nova reserva estimada em mais de 50 bilhões de barris — menor que o Pré-Sal. Um ataque matou o principal líder militar iraniano, que seria um nome forte à sucessão presidencial. O Irã respondeu atacando bases norte-americanas no Iraque.

Guerras recentes como na Síria, no Iraque (usando provas falsas de armas de destruição em massa que nunca foram encontradas) e até na Líbia tiveram como pano de fundo posições estratégicas no mercado de petróleo e gás no Oriente Médio.

E não é raro também que os EUA influam para derrubar governos democraticamente eleitos para colocar ditaduras no lugar ou ainda financiem governantes que atuem como fantoches dos interesses energéticos do Tio Sam.

Assim, em países com instituições mais fracas, eles conseguem acesso mais barato ao petróleo enquanto mantêm suas reservas com menos exploração para mais tarde, na escassez, ter um melhor preço de venda.

O poder da indústria privada do petróleo norte-americano é tão grande que já teve presidentes ligados diretamente ao setor (Bush Pai e Bush Filho) e o primeiro secretário de governo de Donald Trump foi Rex Tillerson, presidente da ExxonMobil, uma das gigantes do petróleo do país.

Tal lobby é poderoso ao ponto de fazer — além de guerras e golpes — com que o governo subsidie toda a cadeia interna de combustíveis — da extração ao refino — com valores que chegam anualmente aos US$ 5 bilhões.

É esse apoio estatal que mantém a atividade viável no país. Sem essa ajuda, o setor de lá correria risco de entrar em colapso.

Então, é um mercado bem menos livre do que parece quando visto de longe, não é mesmo?

Petróleo não é só combustível

Além de ser usado para abastecer todo tipo de transporte motorizado (leves, pesados, coletivos, aeronaves, embarcações etc), o petróleo ainda serve de matéria-prima para uma infinidade de itens do dia a dia de qualquer pessoa.

Os derivados de petróleo serão transformados em produtos petroquímicos finais como os plásticos, borrachas sintéticas, detergentes, solventes, fios e fibras sintéticos, fertilizantes etc, que são elementos básicos para a produção de praticamente tudo o que está à nossa volta.

Tem muito a ser feito no Brasil

Em seu auge, o setor de petróleo e gás chegou a ser responsável 13% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Com a descoberta do Pré-Sal em 2007, passou a ter potencial para ser um dos maiores produtores do mundo.

As reservas são calculadas para render por volta de US$ 10 trilhões de lucros para a Petrobras. E pouco ainda foi explorado. Isto significa que há muito petróleo ainda no Brasil.

O Brasil tem apenas 30 mil poços de petróleo perfurados até hoje. Parece muito? Mas a Argentina, que tem menos de um terço do tamanho do território brasileiro, tem o dobro disso. Os Estados Unidos, cujo território é ligeiramente maior que o brasileiro, tem milhões de poços.

Assim, é possível afirmar que o Brasil tem muito ainda a explorar de petróleo e derivados. E para isso, precisa manter a Petrobras trabalhando para a população, agregando valor e gerando dividendos, royalties e empregos para o povo brasileiro.

 

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