O Governo Federal, se estivesse de fato preocupado com o bem-estar dos brasileiros, deveria zelar pela preservação do seu patrimônio, e agir apenas para beneficiar o capital privado.

Vender as nossas refinarias é o mesmo que cumprir com aquele ditado: “entregar o ouro para os bandidos”.

Isso porque o próprio governo sabe que as refinarias são verdadeiras minas de ouro para o país!

É isso o que mostra o relatório financeiro da Petrobras referente ao terceiro trimestre de 2020, divulgado no final de 2020.

Receita

A receita líquida da Petrobras no acumulado dos primeiros nove meses deste ano no mercado interno foi de R$ 130,7 bilhões, com queda de 20% em relação ao ano anterior. Essa queda já era esperada, pois aconteceu com praticamente todas as grandes petrolíferas do mundo por causa da pandemia.

Aqui vem um ponto interessante: a venda de derivados (principalmente combustíveis) no mercado interno correspondeu a uma receita líquida de R$ 110 bilhões nos primeiros 9 meses de 2020. Enquanto isso, a exportação total de petróleo (incluindo derivados) correspondeu a R$ 60,6 bilhões.

No terceiro trimestre, a venda de diesel no mercado interno rendeu R$ 19,59 bilhões, um valor quase igual a todo o petróleo exportado no mesmo período (R$ 20,91 bilhões).

No total, a receita obtida pelo refino é a mais expressiva da estatal, com R$ 176,8 bilhões no acumulado de 9 meses, contra R$ 125,6 bilhões para o segmento de exploração & produção (E&P), e R$ 27,13 bilhões para gás e energia.

 

Por que o governo quer abrir mão de algo tão valioso?

Os dados mostram a importância de fazer o refino no Brasil mantendo o controle público, pois ao importar derivados, ao invés de produzir aqui, o país está transferindo empregos e tecnologia para fora.

E ao entregar nossas refinarias para empresas privadas, o Brasil colocará em risco milhares de empresas e empregos que dependem das compras da Petrobras. E ainda possibilitará que empresas privadas possam comprar, por ninharia, um setor que movimenta mais de R$ 20 bilhões por mês.

E o pior: essas empresas privadas estrangeiras, quando assumirem o controle de nossas refinarias, talvez passem a ampliar a compra de produtos e serviços do exterior, ao invés de adquiri-los ou produzi-los aqui mesmo, no Brasil. Elas podem, inclusive, transformar as refinarias em meros depósitos para estocar combustível, deixando de gerar impostos, empregos e desenvolvimento para as regiões onde elas estão.

 

O refino é estratégico

Grandes petroleiras do mundo inteiro conseguem refinar mais do que sua capacidade de extração de petróleo. Isso acontece porque o refino é estratégico para qualquer empresa do setor. Mas o atual governo brasileiro escolheu andar na contramão e quer tornar a Petrobras uma mera exportadora de óleo cru.

O Brasil produz atualmente cerca de 3 milhões de barris de petróleo por dia. No entanto, a capacidade de refino está na casa dos 2,29 milhões. O consumo de derivados de petróleo (gasolina, diesel, gás de cozinha, fertilizantes, plásticos, etc) está ligeiramente superior à extração.

Assim, para ter este controle do refino, o mais correto e inteligente seria a Petrobras investir para aumentar sua capacidade de refino, e não promover o desmantelamento dela.

Além de deixar o país desprotegido em caso de crises internacionais de petróleo, a população acaba sendo diretamente atingida, pois paga um preço mais alto no combustível.

Ao invés de adotar uma estratégia que coloque o Brasil ao lado dos grandes produtores, o governo age para que nosso país seja uma mera colônia exportadora de matéria prima.

O futuro do Brasil passa pelo fortalecimento da estrutura de refino nacional, ou ficaremos cada vez mais reféns dos interesses de grupos privados.

 

 

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