O Brasil possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo – o Pré-Sal – porém segue importando muitos derivados, inclusive gasolina e diesel.

Em tese, nossas refinarias teriam capacidade para suprir nossas necessidades. Então, por que isso acontece?

As refinarias brasileiras estão operando com capacidade ociosa, subutilizadas.

Em alguns momentos, chegam a operar com apenas 60% da capacidade de refino, sendo que em outros tempos já chegou a 95%.

Elas não são valorizadas como deveriam e quem paga é o povo brasileiro.

Mas o que está acontecendo?

Em 2018, o Brasil exportou 410 milhões de barris de petróleo – maior parte para a China – e importou cerca de 68 milhões de barris, vindos na maior parte da África e do Oriente Médio. Esse petróleo cru estrangeiro é de um tipo mais leve, diferente do petróleo pesado brasileiro, e é necessário para a mistura que nossas refinarias precisam para refinar.

Por outro lado, mesmo tendo capacidade para refinar quase todo o petróleo extraído aqui, o Brasil importou derivados como gasolina e diesel, principalmente dos Estados Unidos.

Essa importação faz com os preços dos combustíveis no Brasil sejam atrelados ao mercado internacional e a um câmbio bastante desvalorizado, aumentando o custo final para o consumidor.

A extração brasileira é suficiente para proporcionar todo o combustível que o país precisa para o próprio consumo. No entanto, por decisão do governo Bolsonaro, a Petrobras passou a se dedicar mais à extração e venda de petróleo cru, mais barato, do que no refino e possível venda de derivados (maior valor agregado e menor custo).

Nos últimos anos, A Petrobras parou de aprimorar suas refinarias, o que melhoraria a capacidade delas e — a médio e longo prazo — geraria mais receitas e um custo menor do combustível no mercado interno, o que seria bom para a população.

Melhorar a capacidade de refino significaria importar menos e depender menos do mercado externo.

Mas com o dólar alto, a importação de derivados significa necessariamente preços mais altos.

O diesel é o maior mercado da Petrobras

O mercado de diesel é o mais lucrativo dentro da Petrobras. No segundo trimestre de 2019, a empresa faturou R$ 72,56 bilhões em vendas. Um total de 65% (47.65 bilhões) foi obtido com venda de derivados. Metade da receita com derivados foi com diesel (equivalente a 32% do total). Sim, o diesel sozinho representa praticamente um terço de tudo que a Petrobras vende.

É um mercado extremamente lucrativo e altamente atrativo para o grande capital, mesmo a legislação brasileira sendo bastante restritiva quanto à utilização deste combustível em veículos menores.

Mesmo com o Brasil importando (o que demonstra necessidade do produto), a Petrobras tem a pretensão de vender pelo menos 9 de suas 13 refinarias, o que deixaria o país ainda mais dependente do mercado externo.

Para piorar, toda a importação atual vem de apenas um país: os Estados Unidos. A cifra é impressionante: 82% de todo diesel vem de lá.

É um erro estratégico que prejudica a Petrobras e o consumidor brasileiro.

Importar derivados sem necessidade é ruim para o Brasil e bom para o mercado estrangeiro.

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