Um dos argumentos muito utilizados por defensores das privatizações das empresas estatais é que elas dariam prejuízo.

Inicialmente, é necessário lembrar que as empresas e instituições públicas não têm como objetivo principal a busca pelo lucro, porque sua função é primordialmente social: serem fonte de desenvolvimento econômico, de redução de desigualdades e de promoção do bem-estar coletivo.

Por isso, muitas vezes suas gestões tomam decisões voltadas aos interesses da população e não à busca pelo lucro.

Apesar disso, o Brasil possui estatais extremamente lucrativas, eficazes e que prestam serviço de qualidade.

Três dessas empresas – Banco do Brasil, Petrobras, Eletrobras – que, de tempos em tempos entram na lista de desejo de privatização do atual governo, tiveram lucro recorde combinado em 2019: pouco mais de R$ 69 bilhões.

A maior responsável foi a Petrobras, com R$ 40,1 bilhões.

O Banco do Brasil cresceu seu lucro de 2018 para 2019. Enquanto no ano anterior teve quase R$ 12,9 bilhões de lucro, em 2019 seu um ganho líquido foi de R$ 18,16 bilhões.

Já a Eletrobras foi a única das três a ter diminuição de lucro de um ano para outro: R$ 10,8 bilhões, contra um lucro de R$ 13,3 bilhões em 2018.

O levantamento, feito pela consultoria financeira Economatica, é realizado desde 1993 e compreende apenas as estatais listadas na bolsa de valores. Em apenas 5 dos 27 anos analisados o conjunto das empresas somou prejuízo. Ns anos de 1995 e 1996, no início do governo de Fernando Henrique Cardoso, e nos anos de 2014, 2015 e 2016, quando o país sofria com a crise econômica criada para derrubar o governo de Dilma Rousseff, e com os impactos da Operação Lava Jato, cujo estrago foi maior do que sua função inicial, que era supostamente combater a corrupção.

Juntas, todas as estatais federais tiveram lucro líquido de R$ 109,1 bilhões em 2019.

 

E o que os lucros das estatais geram ao povo?

A importância de se manter as estatais, ao contrário do que o governo pretende, é a possibilidade de receitas estáveis por mais tempo por meio de dividendos. Eles são parcelas dos lucros repassados aos acionistas. No caso da União, acionista majoritário dessas empresas, eles vão para fundos públicos e ajudam a financiar políticas públicas em diversas áreas.

Além disso, muitas atendem demandas sociais que não seriam contempladas por empresas privadas. Isso significa que se forem privatizadas, a população brasileira será impactada e muitas pessoas não terão acesso a direitos e serviços básicos.

 

Lucros “inflados”

É preciso ter cuidado ao analisar os lucros obtidos pelas estatais em 2019 porque parte desses montantes são provenientes de privatizações, venda de ativos e de subsidiários. Isso acaba passando uma impressão otimista demais sobre a situação.

A privatização dessas empresas pode até gerar um aumento momentâneo no caixa do governo, porém significará a renúncia de valores maiores no médio e no logo prazo. Além disso, muitas privatizações acabam impactando indiretamente na sociedade e no próprio caixa do governo, porque é comum empresas privatizadas fazerem demissão em massa (e pessoas sem emprego consomem menos) e ainda reduzirem operações para tentar maximizar os lucros.

O recorde anterior de lucratividade das estatais federais havia ocorrido em 2010. A diferença é que naquela época os lucros vieram somente das operações, das vendas de produtos e de serviços, sem inflar os caixas com privatizações.

Mas independentemente das privatizações, os números mostram que é muito mais benéfico manter as empresas públicas sob controle do Estado. Pelo menos é o que deveria fazer um governo que pensa no futuro do Brasil muito além do imediato.

 

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