A Petrobras foi criada para ser uma empresa integrada, “do poço ao posto”. Com suas refinarias, dutos, terminais e distribuidora a empresa ficava protegida da inevitável variação dos preços do petróleo e da taxa de câmbio no mercado internacional.

Ou seja, os ativos do refino, logística, transporte e distribuição são fundamentais para garantir os resultados corporativos da Petrobrás, gerar fluxo de caixa e realizar investimentos.

Também servem para evitar que o país retorne à dependência do capital estrangeiro, como ocorreu no setor até 1938, ano em que foi criado o Conselho Nacional de Petróleo. Até então, os combustíveis no Brasil dependiam da avaliação de oportunidade e da lucratividade pelas petroleiras estrangeiras

O projeto de desmonte da Petrobras, iniciado pelo governo Temer e ampliado pelo governo Bolsonaro, vai resultar em enfraquecimento da estatal e deixar nosso país refém do mercado externo. Um risco muito grande para um setor tão estratégico do país.

A eminente privatização das refinarias, somada àquelas já realizadas em outras áreas vitais do negócio (BR Distribuidora, controle da Gaspetro, Liquigás, rede de gasodutos, petroquímicas e fertilizantes) fazem a alegria apenas das elites (nacionais e estrangeiras) que já são privilegiadas.

 

Estratégias erradas

O governo atual está tomando decisões que ameaçam o futuro da Petrobras e do Brasil.

Um dos focos é a redução das atividades da estatal, priorizando basicamente a extração e a venda de petróleo cru. Essa visão fez, inclusive, a empresa perder metade de seu valor de mercado em março de 2020. Por causa dessas escolhas, em pouco tempo a Petrobras será deixada para trás pelas outras empresas do setor, que crescem enquanto diversificam a sua atuação.

Outro grave erro de estratégia é focar no pagamento da “dívida” da Petrobras.

Para enganar a população, o governo e setores da velha mídia fazem parecer que uma dívida de empresa deve ser tratada como as contas que as pessoas precisam pagar em casa.

O que eles não explicam é que grande parte dessa dívida é decorrente, por exemplo, de empréstimos financeiros adquiridos para garantir crescimento e expansão, como qualquer grande empresa faz (e que ocorre inclusive com muitas empresas novas, que demoram muitos anos para começar a dar lucro).

Um cálculo aproximado mostra que com uma redução de 40% da dívida seria possível fazer uma economia anual na ordem de R$ US$ 2,1 bilhões, o equivalente a 17% da capacidade de geração de caixa nas condições de preço do petróleo historicamente próximos de US$ 50 por barril.

A geração de caixa do segmento do abastecimento da Petrobras entre 2015 e 2017, período de preço do petróleo relativamente baixo, médio de US$ 52,68 por barril, alcançou lucro médio anual de US$ 12,2 bilhões (em valores atualizados para 2018).

Ou seja: o potencial de lucro gerado pelas refinarias e todos os ativos privatizados, mesmo em caso de queda no preço do barril, é maior do que a economia que será feita com a redução da dívida!

 

Por que a pressa?

Antes de mais nada, é preciso lembrar que a mente por trás dessas escolhas é o ministro da Economia, Paulo Guedes, que saiu do setor financeiro para assumir uma função que é estratégica, já que ele implementa essa visão de que o governo deve priorizar justamente o pagamento da dívida pública com o sistema financeiro.

Essa dívida, com a qual o Brasil gasta quase metade de seu orçamento anual, cresce a cada ano sem controle e sem uma auditoria que pudesse determinar a legitimidade dos valores cobrados, como determina a Constituição Federal.

Aqueles que lucram com esse sistema de endividamento querem aproveitar o máximo possível para que possam extrair as riquezas dos brasileiros.

Isso explica tanta pressa para pagar a tal dívida.

E o governo ainda se aproveita das privatizações para inflar os lucros da Petrobras, como tem feito nos últimos anos, camuflando os estragos causados por sua gestão. Em um futuro muito breve, essa conta virá, e será paga (novamente) por todos os brasileiros.

 

Tiro no pé

Privatizar as refinarias, terminais, bases logísticas e a distribuidora da Petrobrás é condenar a companhia a enfrentar dificuldades diante das inevitáveis variações cambiais e do preço internacional do petróleo e deixar o Brasil sem autonomia energética.

Se o atual governo brasileiro continuar com a política de destruição da Petrobras, seja pela desintegração ou pela privatização, o Brasil perderá a oportunidade de se tornar um dos países mais prósperos do planeta.

Só com a Petrobras o Brasil tem futuro.

 

 

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