Desde seu início, em 2019, o atual governo deixou clara a intenção de desmontar a Petrobras, se desfazendo de ativos (subsidiárias, refinarias etc) e focando, de maneira equivocada, apenas na exploração e exportação de petróleo cru.

Essa medida causará imensos prejuízos para a empresa e para o futuro do país.

O primeiro equívoco é querer se desfazer de refinarias. Das 13 que a Petrobras possui, 10 estão sendo colocadas à venda.

Ao se desfazer das refinarias, a Petrobras estará condenada a colher prejuízos gigantescos em outras crises, principalmente quando houver queda de preços do petróleo, como a que ocorreu a partir de março de 2020 por causa da pandemia do Coronavírus.

Ao se focar apenas na matéria-prima, a estatal fica sujeita às oscilações do mercado internacional. Com a queda do preço por causa da redução da demanda mundial por petróleo, a Petrobras perdeu praticamente metade do valor de mercado (cerca de R$ 200 bilhões).

Ter a cadeia completa de produção e uma cartela de produtos variados seria uma maneira de se obter lucros constantes e compensar qualquer segmento que sofra durante uma crise. É a aplicação na vida real daquela sabedoria popular de que nunca se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta.

Prejuízos para o povo

A venda de refinarias aumentaria os preços de combustíveis porque o Brasil estaria completamente refém dos preços internacionais, que são sujeitos às oscilações do mercado e ao câmbio.

Além disso, se a rede de refinarias da Petrobras for desmontada, os novos donos iriam focar nas regiões consideradas mais lucrativas e outras regiões poderiam ficar desabastecidas, gerando também desemprego e inflação, inviabilizando setores da economia inteira em várias partes do país.

Além do petróleo

O abandono de outras fontes de energia terá efeito desastroso para comunidades que dependem das unidades do sistema Petrobras. É o caso do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, cuja principal cidade é Montes Claros. A região tem clima semiárido e faz parte do Polígono das Secas. A industrialização é pouca e há grande dependência da agricultura familiar. É a região mais pobre do estado.

Foi lá que a Petrobras Biocombustíveis (PBio), subsidiária da Petrobras, construiu a Usina Darcy Ribeiro, que produz biodiesel a partir da mamona plantada pelos agricultores da região. É uma tecnologia mais limpa que os hidrocarbonetos e de fonte renovável. A PBio fez unidades em várias regiões do país aproveitando suas potencialidades agrícolas com diferentes matérias primas.

O lucro da unidade é pequeno, se comparado com outras atividades, e dificilmente uma empresa privada abriria outra usina no local, mesmo assim a unidade garante renda à população da região e ajuda a amenizar a necessidade de importação de combustíveis ao produzir biodiesel. Se para alguns pode parecer pouco, ela é muito para quem vende matéria prima para ela.

Infelizmente, é um dos setores que a atual gestão da Petrobras pretende reduzir os investimentos (eles usam o termo “desinvestir”, mas na verdade querem dizer “abandonar”).

A usina e a PBio correm risco de fechamento. Isso causaria aumento da dependência energética do país, diminuição da renda dos agricultores e maior empobrecimento de uma região que já sofre com a pobreza, gerando êxodo para outras localidades.

Manter a Petrobras estatal e inteira é mais que energia. É também questão de desenvolvimento humano.

É assim que o Brasil tem futuro.

Compartilhe o post
Instagram  | Facebook