Antes do governo Michel Temer (2016-2018), os preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobras e em sua rede de distribuidores eram estáveis por pelo menos seis meses.

Foi o período em que a estatal mais se valorizou: seu valor de mercado e crescimento estrutural alavancaram, e seu lucro não precisava ser inflado por privatizações de unidades (como ocorre hoje).

As variações do câmbio e dos preços internacionais do petróleo não interferiam tão fortemente aqui, e a Petrobras conseguia projetar o comportamento futuro do câmbio.

Em 2016, Temer alterou a política de preços da estatal, adotando uma combinação entre variação do câmbio do dólar (no curto prazo) e preço internacional do petróleo. O desequilíbrio provocado chegou a mudar os preços dos combustíveis por mais de uma vez em uma mesma semana. O preço da gasolina disparou no país e nunca mais foi o mesmo.

Desastrosa, a política de preços é mantida pelo governo de Jair Bolsonaro, e segue prejudicando todos os brasileiros – do motorista de aplicativo até o dono de empresa.

 

Reféns

Dois fatores incidem fortemente sobre o preço internacional do petróleo, ambos ligados aos maiores países produtores do óleo no mundo: as decisões de seus governantes, e situações como guerras e problemas climáticos.

No Brasil, ainda temos de lidar com o câmbio do dólar: nos primeiros meses de 2020, o Real foi a terceira moeda do mundo que mais desvalorizou frente ao dólar. Com tantas instabilidades, os brasileiros se tornaram reféns da inflação do combustível.

A situação só não é pior devido à atual estagnação da economia brasileira: a falta de demanda até segura os preços, mas não impede que outros efeitos precarizem a vida do povo.

 

Mais problemas

Temer e, agora, Bolsonaro, decidiram que o Brasil deveria refinar menos petróleo e importar mais combustível. Se antes as refinarias da Petrobras operavam com quase 95% de suas capacidades, hoje chegam a 60%, 65%. Resultado: o país compra quase 90% do diesel dos Estados Unidos – e em dólar, que o torna ainda mais caro.

Dados de dezembro de 2018 revelam que cada barril de petróleo refinado no Brasil custava cerca de R$ 2, enquanto no exterior saía por R$ 3. Mesmo assim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, prefere importar refinados e exportar o valioso petróleo brasileiro cru.

 

Oportunismo da cadeia privada

Os preços na bomba dos postos não acompanharam a redução do preço internacional do barril de petróleo, causada por uma crise de demanda ocasionada pela pandemia do Coronavírus, a partir de março de 2020.

Embora a Petrobras, que é responsável por apenas 23% do preço final, tenha reduzido o preço da gasolina nas refinarias a um de seus menores patamares, os outros participantes da cadeia do setor (transporte, distribuição, revendedores, postos de gasolina etc), que são privados, aproveitaram para aumentar suas margens de lucro.

Os altos preços dos combustíveis geram um efeito dominó que torna a vida dos brasileiros mais difícil e mais cara, principalmente porque a infraestrutura de transporte de cargas brasileira é totalmente dependente do diesel e da gasolina.

O encarecimento do combustível foi uma decisão política que pode ser revertida com a retomada do refino no país aos níveis de antes. E com sua ampliação.

Nosso refino terá valor agregado, aumentará o faturamento da Petrobras, manterá os lucros constantes, e permitirá margem ao controle de preços no mercado interno.

Melhorar a vida da população é uma decisão que está nas mão do governo, mas, infelizmente, esta não tem sido a sua prioridade.

 

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