Por ser uma empresa estatal, a única forma de alguém se tornar um trabalhador efetivo e construir uma carreira na Petrobras é passando em um concurso público.

E os concursos da Petrobras estão entre os mais difíceis concorridos do país. A empresa está sempre na lista das preferidas entre os jovens universitários.

Isso significa que não há favorecimento político ou pessoal para ser aprovado. Concursos públicos não levam em consideração a ideologia, relações ou preferências políticas ou pessoais.

Por ser uma empresa estatal e não um órgão da administração direta, os trabalhadores da Petrobras têm sua contratação em regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com regras diferentes dos servidores diretos.

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, funcionários da Petrobras não possuem estabilidade.

Após a aprovação no concurso, o funcionário passa por processo de treinamento antes de exercer efetivamente sua função. E também passa a ter acesso aos cursos da Universidade Petrobras.

Avançar na carreira depende de formação e aprimoramentos constantes. Eles são frequentemente avaliados quanto ao desempenho para que possam obter promoções dentro da carreira ou mesmo permanecerem no quadro funcional.

E os cargos comissionados?

Antes de mais nada, precisamos explicar que há dois tipos de comissionados na administração pública, sendo ela direta ou indireta. Esse é um tema que é marcado pela falta de compreensão e gera muito debate geralmente, sem as pessoas entenderem bem como funciona.

O primeiro deles é a função gratificada. É quando um servidor/trabalhador de carreira passa a ocupar uma função de chefia ou alguma atribuição especial, recebendo um acréscimo no pagamento em troca do aumento de responsabilidade. É permitido, nesse caso, que seja um servidor vindo de outro órgão ou outro ente público, por meio de cessão e acordo entre os órgãos.

O segundo caso é o cargo comissionado de livre provimento. É quando alguém é contratado, vindo de fora do serviço público ou da empresa pública, geralmente para ocupar cargo de chefia. Em teoria é uma forma de atrair pessoas com aptidões e qualificações diferenciadas, para trazer mais qualidade à gestão. Na prática, é muito utilizado como forma de barganha política e pode ser uma porta para desvios e corrupção.

Em todos os escândalos de corrupção que estouraram pode-se notar que quase sempre o elo entre os desvios e os políticos é um comissionado de livre provimento (um apadrinhado político). Esta forma de contratação é considerada questionável.

Por isso, é preciso muita atenção para não misturar esses conceitos, colocando tudo no mesmo balaio.

Há órgãos e empresas públicas em que os concursados têm direito a cadeiras de representação nos conselhos administrativos (aqui vale um parêntese bem interessante: na Alemanha, a presença de trabalhadores em conselhos de empresas é garantida por lei até para a iniciativa privada). Nesses órgãos, os concursados são responsáveis muitas vezes por conseguir brecar ações danosas à população ou ao caixa da empresa.

O que fazer?

Para combater a corrupção e a ingerência política indevida na Petrobras, todos os cargos comissionados, incluindo a diretoria, deveriam ficar a cargo de funcionários concursados.

, é bem mais barato para a estatal acrescentar função gratificada a um servidor de carreira do que pagar o salário integral a alguém vindo de fora do Sistema Petrobras.

há mais certeza de uma gestão mais honesta, transparente, e com menor ingerência política possível nas questões técnicas do petróleo.

Um servidor de carreira sabe os efeitos que suas ações possuem.

No quadro efetivo próprio da Petrobras, há bastante pessoal experiente e altamente capacitado para tomar decisões estratégicas, tecnicamente embasadas, com visão de todo o processo e, acima de tudo, compromisso com a função e com a sociedade.

Pensar no futuro é valorizar sua gente e alçar o talento que a própria empresa cultivou aos pontos mais altos da carreira.

Assim a Petrobras ficaria mais forte, os brasileiros ganhariam e o Brasil ficaria mais distante da corrupção.

 

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