Nos últimos anos, as principais empresas petrolíferas do mundo buscaram aumentar suas reservas e diversificar suas frentes de negócios, buscando negócios com menor risco para se proteger de oscilações do petróleo.

A bacia Permiano do Golfo do México e o Pré-Sal brasileiro têm sido as favoritas dessas empresas no aumento de suas reservas.

A estatal norueguesa Equinor aumentou 15,1% suas reservas entre 2017 e 2018. O foco dela tem sido fora de seu país de origem, pois os campos nacionais estão em desvalorização. Por exemplo, foi dela a aquisição do campo de Roncador, na Bacia de Campos, junto com a Petrobras.

A Equinor também investe em outras fontes de energia, com a criação do primeiro parque eólico flutuante do mundo na Escócia, em 2017. Os noruegueses pretendem que, em 2030, as novas soluções energéticas representem de 15% a 20% dos seus investimentos.

A ExxonMobil criou três empresas de upstream (localização e exploração de poços de petróleo) para otimizar suas explorações nos Estados Unidos, na Guiana e no Brasil, integrando com seus outros segmentos. Ela aumentou suas reservas em 14,6% entre 2017 e 2018 e é a empresa estrangeira com maior área de exploração líquida no Brasil, após aquisição de blocos no Pré-Sal.

A Britânica BP aumentou suas reservas em 8,2% no período, incluindo 21 concessões de petróleo e gás natural no Brasil em quatro bacias sedimentares e campos do Pré-Sal. A empresa possui um agressivo plano de combustíveis renováveis, reingressando na energia solar, entrando no mercado norte-americano de biocombustíveis, e ampliando investimentos em energia eólica e em energia móvel.

 

E a Petrobras?

No mesmo período, as decisões do governo brasileiro fizeram a Petrobras encolher suas reservas em 3,7%. Diferentemente do resto do mundo, a estatal brasileira está se desfazendo de campos de exploração, de subsidiárias e de ramos de negócio.

A alegação (falsa) é diminuir a dívida da empresa. A dívida, resultado de alavancagem feita para investimentos no Pré-Sal, é facilmente pagável desde que ela tenha faturamento com vários segmentos.

De 2019 para cá, a Petrobras se desfez da TAG, da Liquigas, da BR Distribuidora e das fábricas de fertilizantes, entre outras. Também foram reduzidos investimentos em energias renováveis como eólica e biocombustíveis.

Diferentemente das outras empresas, a atual direção da Petrobras está focando apenas na exploração e na venda de petróleo cru. Por isso, várias refinarias e usinas estão listados como bens disponíveis para venda e estão operando muito abaixo de sua capacidade.

Em Minas Gerais, a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, é um dos bens colocados à venda, assim como a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro, em Montes Claros, que está em processo de encerramento de atividades.

A crise mundial do petróleo iniciada em março de 2020, causada pela queda abrupta do consumo por causa da pandemia do Coronavírus, mostrou o quanto a direção da empresa brasileira está equivocada. O foco cada vez mais concentrando apenas na exploração e na venda do petróleo cu fez com que a Petrobras fosse a empresa que mais perdeu valor de mercado, entre as grandes do setor. A redução recorde de R$ 202,9 bilhões representou quase 50% de perda do valor de mercado.

Está claro que a atual política de desinvestimentos (termo que na prática equivale a “sucateamento” e “privatização aos pedaços”) é extremamente prejudicial à Petrobras e aos interesses nacionais.

Isso leva à perda de valor, de empregos, de arrecadação e de independência energética. O aumento dos lucros imediatos com as vendas de parte da Petrobras pode enganar. Isso vai comprometendo a capacidade futura da estatal.

Por isso a Petrobras precisa retomar o investimento e ampliar seus negócios. Pois a Petrobras tem futuro inteira, do poço ao posto, passando por muitas áreas além do petróleo.

Isso sim seria pensar no futuro, da estatal e do Brasil!

 

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