Em 2019, em meio ao processo de desmonte da Petrobras aplicado pelo governo brasileiro, a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim-MG, entrou na lista do patrimônio nacional colocado à venda.

A unidade concentra sozinha 7% de toda a capacidade de refino do país, abastece boa parte dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. Além de combustível, produz também insumos para a indústria.

As mudanças implementadas pelo governo já estão gerando sintomas muito graves.

Como todo processo de privatização, a Regap vem sendo sucateada para ficar mais atraente (entenda-se mais barata) para os compradores. Os riscos são gigantescos para todos.

A manutenção deixou de ser adequada e acidentes têm ocorrido com frequência maior. Pelo menos três vazamentos foram registrados recentemente. Em um deles um trabalhador foi internado com queimaduras e perdeu parte do couro cabeludo.

O desleixo proposital por parte da gestão da Petrobras pode provocar acidentes mais graves, em uma região que ainda vive o trauma dos rompimentos das barragens da Vale em Mariana e Brumadinho.

 

No bolso

Além de todo o risco ambiental e humano, outro aspecto da decisão de disponibilização da Regap de outras refinarias pode ser sentido no bolso dos consumidores.

O desmonte da estrutura de refino da Petrobras começou em 2016 quando Michel Temer assumiu o governo e implantou um projeto de entrega das riquezas brasileiras para o estrangeiro.

O governo de Jair Bolsonaro está aprofundando essa política, focando cada vez mais na extração e na venda de petróleo cru para o mercado externo (que compra barato e depois vende gasolina e diesel caros para o Brasil).

Por isso, o governo passou a reduzir propositadamente as operações das refinarias. A Regap opera atualmente com cerca de metade da capacidade total e isso teve impacto no bolso dos consumidores, que chegaram a pagar mais de R$ 5,00 por litro de gasolina (antes da queda de preços ocasionada pela derrubada do valor internacional do petróleo em março deste ano por causa da pandemia do Coronavírus).

Quem perde com a privatização das refinarias é a população. Por isso, a Regap não pode ser vendida, assim como nenhuma outra refinaria. Todas são estratégicas para o Brasil!

 

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