A privatização da Companhia Energética de Goiás (Celg) tem muito a ensinar sobre os perigos da venda de estatais no Brasil.

Cerca de três anos após a venda da Celg para a italiana Enel, ocorrida no governo Michel Temer (2017), as constantes quedas de energia e a demora na resolução das ocorrências se tornaram marcas registradas da privatização.

Vejamos sete fatos que comprovam que a venda de estatais é um erro no Brasil.

 

  1. Falta de conhecimento

Estatais são criadas para beneficiar a população e desenvolver a região onde atuam. Para isso, investem em conhecimento, sistemas e logísticas que contribuam para a execução de serviços cada vez melhores. O mesmo não ocorreu com a Enel: além de levar dias para solucionar problemas que a Celg resolvia em poucas horas (antes de ser privatizada), já deixou regiões na zona rural sem energia elétrica por semanas.

 

  1. Excesso de terceirização

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina), o índice de terceirização na Enel é de mais de 80%, o que dificulta a fiscalização. Ainda assim, em 2019 a empresa foi multada em R$ 62 milhões (por inadequação na prestação do serviço), e recebeu mais duas sanções (R$ 13,4 milhões) da Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR).

 

  1. Tarifas muito altas

Passando cerca de 23,2 horas por ano sem abastecimento elétrico, e mais 11,3 interrupções (média), os consumidores da Enel se queixam do alto valor cobrado pela energia em contraste com a falta de assistência da empresa.

 

  1. Setor estratégico

A atuação precária da Enel afeta consumidores residenciais e também o setor produtivo de Goiás, cuja economia é especialmente pautada pela produção agrícola e pecuária. A privatização de um setor estratégico como a energia elétrica tornou o problema insustentável para todo o estado.

 

  1. Foco no lucro

Sem controle social, investimentos escassos e focada no lucro, a privatização da Celg tirou a tranquilidade dos goianos que, por nunca terem enfrentado tantas dificuldades na época da estatal, não confiam na Enel.

 

  1. Culpa do clima

Segundo a própria Enel, períodos chuvosos e ventos são responsáveis por problemas de fornecimento em diferentes pontos do estado. Mas também chovia e ventava na época da estatal, e os goianos recebiam energia elétrica normalmente.

 

  1. Insegurança jurídica

Embora seja um defensor de privatizações, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pediu o fim da concessão da Enel na Justiça. Em paralelo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, prepara uma ação civil pública contra a companhia. Até que tudo se resolva, a população goiana sofre – no escuro.

 

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